Não temos espaço para agropecuária. Será?

Por Myron Paterson Neto.

Há discursos anacrônicos no Brasil. Retóricas que são fundamentadas em políticas retroativas, que nos remonta ao passado tão presente no contexto atual. O grande exemplo é a discussão que envolve o Novo Código Florestal Brasileiro. Existem várias justificativas para recorrer a um novo modelo para legislação ambiental no país. Todavia, o discurso estabelecido com  maior força pela chamada “bancada ruralista”, é a falta de terras para se ter uma maior produção agrícola no país.

Esse discurso parece ser convincente, pois a atividade agrícola no Brasil, representa 40% da economia nacional (Fonte:IBGE). A “falta de terras”, para o desenvolvimento desse ramo, seria uma afirmação contundente para se modificar a legislação ambiental no país. Contudo, há controvérsias bastante convincentes sobre esse discurso.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), mais uma vez dismistificou essa retórica tão utilizada. Segundo o estudo do IPAM, o potencial de área para agropecuária no Brasil varia entre 303 milhões e 366 milhões hectares, ou seja,  de 36% a 43% do território nacional. Esses valores, quebram totalmente a falta de terras para a agropecuária no Brasil. Porém, o novo código florestal, quer viabilizar a diminuição de áreas de APP( Área de Preservação Permanente), para rios com até 5 metros de largura, de 30 para 15 metros, em relação a margem do rio. Segundo especialistas, seria perder 30% de floresta nativa no país.

O mesmo estudo, viabilizou a quantidade de terras disponíveis para agropecuária no Brasil, para cada um dos biomas existentes. Segundo o IPAM, nos biomas não – Amazônicos o percentual de área passível de uso legal para agropecuária varia de 57% a 71% do território do bioma (exetuado o Pantanal). Todas esses cálculos, contrapõe de forma árdua a posição por falta de terras no país.

Entretanto, vemos um discurso midiático a favor dessa afirmativa absurda. Na última semana, o Jornal da BAND, apresentou essa reportagem: Reportagem da BAND.

Infelizmente, essa apresentação nos mostra como a televisão nacional é comprada, patrocinada por “interesses obscuros”.  Um jornal de expressão nacional, distorcendo informação com um aparente fundo de conhecimento científico.  Esse jornalista, Lorenzo Carrasco, faz afirmações descabidas e deturpadas: ” A legislação Ambiental Brasileira, impede o desenvolvimento nacional. A legislação Ambiental é uma “camisa de força”. Sobre que desenvolvimento você fala cara pálida?

O Brasil, é um país que produz meia-cabeça de gado por hectare. São 10.000m² para menos de um gado no país (Fonte: IBGE). Como falar em falta de terras com um dado alarmante desse? Essa pecuária que deixe o gado “passeando no jardim da fazenda”, com uma produtividade ridícula, não precisa de terras, mas de tecnologia. É simples! Inserção de tecnologia.

Ainda no mesmo noticiário, o repórter diz que nos Estados Unidos e na Europa, que devem ser a referência de mundo para “os menos civilizados como nós”, produzem sem nenhuma restrição ambiental. Essa afirmativa, na qual compara as legislações ambientais, e coloca a nossa como um retrocesso econômico, mais uma vez foi dismistificada pelo IPAM: “Comparando os resultados dos cenários 1 a 4 (per capta) com a área total de lavoura e pecuária (per capta) nos EUA, o Brasil tem o potencial legal de chegar entre 1,6 a 1,9 HAde área agropecuária per capta, enquanto que os EUA possuem hoje 1,3 ha/per capta”. Página 4 do respectivo documento.

A nova proposta, para a legislação ambiental, possui argumentos controversos. Não se diz que não devemos fazer determinados ajustes na nossa lei, mas não podemos aceitar discursos infundados. Porém, infelizmente nossa nação é desprovida de oportunidades de educação e informação de qualidade. O Controle sobre a massa nacional é teoricamente facilitado por esses fatores. Vivemos assistindo a Band e seus derivados, uma pena que essas emisoras nacionais apresentem programas de qualidade em uma minoria.

Veja o estudo do IPAM – www.ipam.org.br

Para visualizar melhor o conteúdo apresentado pelas grandes emissoras, assista o vídeo. Séries de reportagens do Jornal Nacional sobre o Novo Código Florestal.

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